quinta-feira, 12 de abril de 2012

GOIANOS AO TELEFONE


- Quem? 
- Jair.
- Opa, bão?
- Belez. 
- Mais tá bão mes?
- Bão bisurdo. (É mais do que bom, sacou?)
- E os minino?
- Tá bão tamém.
- Vam' marcá qualquer dia desse p'cê i lá em casa.
- Vam', levo a carne?
- Uma caixa de cerva também. 
- Fechô então.
- Abração.
- Té mais.

Goiás é bom demais ! ;)

Portanto ...

Deixemos de lado nossas diferenças linguísticas, todos nós brasileiros falamos português, certo e rico, e “arretado” de bonito, não existe diferença entre nós ao que cabe a língua, pois todos a usamos da melhor forma, respeitando as necessidades de nossa realidade e adaptando-a ao que é necessário. Se você entendeu o que o outro falou, estão falando a mesma língua, ninguém é melhor do que ninguém, nem mais “burro” por falar diferente. Deixe este preconceito desaparecer, como todos os outros.

No Goiás é assim :





Gírias - Um pouco delas !


Girias Cearenses

Butar buneco!: Se divertir!
Diabéisso?: O que é isso?
Deixe de arrudei! - Pare de enrolar!
É bem pixototim! - É bem pequeno!
Ele é chei do leriado!: Ele é conversador!
Ele é muito estribado!: Ele é muito rico! 

Girias Fluminenses

Ficou na pista: Deu mole em alguma coisa, passou vergonha
Vacilou: Marcou bobeira
Puxar um beck :Fumar droga
Zoar ou Zueira:Fazer bagunça
Nóia: Usuário de droga, que trafica, drogado
Fita forte: Produto de roubo
Dar um rolê: Passear, sair 

Gírias Gaúchas

Acolherar; Acolherar-se: Unir, juntar, juntar-se, associa-se.
Alambrado: aramado; cerca feita de fios de arame.
Amargo: Chimarrão, mate amargo.
Apear: Descer; apear-se do cavalo.
Bagual: Potro recentemente domado, arisco, bisonho.
Bergamota: tangerina, mexerica.
Bochinche: Desordem, briga; baile de ínfima classe.
Bolicho /e: Pequena casa de negócio; taverna,. Bodega.
Bueno: bom; está bem; perfeitamente.
Cambicho: Apego, paixão, rabicho.

Gírias Baianas

A locé: como bem quer
A par de: do lado
A toque de caixa: imediatamente
Abrir o chambre: fugir
Acompanhar farrancho:meter-se em complicações
Alcaides: coisa fora de moda, ruim
Alodê, arigofe, pau-de-fumo: homem muito preto
Aprontar-se: trocar de roupa para fazer alguma coisa
Aqui d'el-rei: socorro 

Gírias Mineiras

Abano: denominação particular dada à peneira sem furos, cuja destinação é soprar cereais, limpando-os de resíduos, como palha, cascas, terra. A peneira de sessar tem o pano crivado de furos, que tem diâmetros variáveis, segundo a função específica.
Agaravios: apetrechos, coisas, armas e implementos destinados ao seu porte.
Aleijo: deformidade fisica, aleijão
Bacurim: o leitão que ainda amamenta
Barango: diz-se de pessoa ou de coisa de mau gosto, barata, fora de moda, cafona
Beira-mar: cantiga de canoeiros, ao compasso das vogas ou dos remos, no rio Jequitinhonha.
Bembeu: pessoa raquítica, mirrada; bezerro enjeitado 

Gírias Goianas

Encabulado - Impressionado. Ex.: Estou encabulado que você nunca tenha ouvido alguém falar "chega dói" antes.
Bão? - Goianês para "Tudo bem?" Também é usada a forma bããããão?
Tá boa?  - Goianês para "Tudo bem?" usado para mulheres. Em outras regiões do Brasil seria interpretado de outra forma…
Bão mesmo? - É comum usar o "mesmo?" depois de coisas como "e aí, tá bom/bão", como se pedisse uma confirmação de que a pessoa tá bem e não apenas fingindo que está bem.
Piqui - Pequi, fruto típico de Goiás, bastante usado na culinária goiana.
Mais - substituto goiano da conjunção "E". Ex.: Eu mais fulano estamos no Goiás.
No Goiás - Em Goiás.
Na Goiânia - Em Goiânia.
Pit Dog  - Uma espécie de filho bastardo de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro-quente. Apesar desse nome estranho, os sanduíches são muito bons!
Queijim - Rotatória.
Tem base? - Expressão tão goiana que existe até em slogan impresso em bandeiras e camisetas exaltando o Estado: "Sou goiano. Tem base?". Pode ser traduzido como "Pode uma coisa dessas?", só que usado com muito mais frequência






NENHUMA VARIEDADE, OU LÍNGUA, É MELHOR, MAIS CORRETA, MAIS BONITA OU MAIS RICA, DO QUE AS OUTRAS

Português certo ?

É evidente a existência de diversos modos de falar português no Brasil, onde cada região tem seu próprio modo. Mas todos esses são de uma mesma língua, a língua portuguesa.
Nenhuma região fala o português errado, como nenhuma fala corretamente.

O preconceito linguístico - o mais sutil de todos eles


Atinge um dos mais nobres legados do homem, que é o domínio de uma língua. Exercer isso é retirar o direito de fala de milhares de pessoas que se exprimem em formas sem prestígio social. Não quero dizer com isso que não temos o direito de gostar mais, ou menos, do falar de uma região ou de outra, do falar de um grupo social ou de outro. O que afirmo e até enfatizo é que ninguém tem o direito de humilhar o outro pela forma de falar. Ninguém tem o direito de exercer assédio linguístico. Ninguém tem o direito de causar constrangimento ao seu semelhante pela forma de falar. 

Devemos estudar com seriedade e sem preconceitos a língua, analisando as variantes e concluindo que todas estão inseridas dentro de um mesmo padrão.


Variações Linguísticas


Existem quatro modalidades que explicam as variantes linguísticas:
  1. variação histórica (palavras e expressões que caíram em desuso com o passar do tempo);
  2. variação geográfica (diferenças de vocabulário, pronúncia de sons e construções sintáticas em regiões falantes do mesmo idioma);
  3. variação social (a capacidade linguística do falante provém do meio em que vive, sua classe social, faixa etária, sexo e grau de escolaridade);
  4. variação estilística (cada indivíduo possui uma forma e estilo de falar próprio, adequando-o de acordo com a situação em que se encontra).

"As pessoas sem instrução falam tudo errado"

Isso se deve simplesmente a um questão que não é linguística, mas social e política – as pessoas que dizem Cráudia, Praca, Pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação forma e aos bens culturais da elite, e por isso a lingua que elas falam sobre o mesmo preconceito que pesa sobre elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada "feia", "pobre", "carente", quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola. Assim, o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê. Neste caso, o preconceito lingüístico é decorrência de um preconceito social.

"Português é muito difícil"

Para Marcos Bagno essa afirmação consiste na obrigação de termos de decorar conceitos e fixar regras que não significam nada para nós. No dia em que nossa língua se concentrar no uso real, vivo e verdadeiro da língua portuguesa do Brasil, é bem provável que ninguém continue a repetir essa bobagens. Todo falante nativo de um língua sabe essa língua, pois saber a língua, no sentido científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela. A regência verbal é caso típico de como o ensino tradicional da língua no Brasil não leva em conta o uso brasileiro do português. Por mais que o aluno escreva o verbo assistir de forma transitiva indireta, na hora de se expressar passará para a forma transitiva direta: "ainda não assisti o filme do Zorro!"

Meios de comunicação e preconceito linguístico

O preconceito linguístico, vem sendo alimentado diariamente pelos meios de comunicação, que pretendem ensinar o que é "certo" e o que é "errado", sem falar, é claro nos instrumentos tradicionais de ensino da língua, ou seja a gramática normativa e os livros didáticos.

Marcos Bagno


"O preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre a língua e gramática normativa"
"Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português"

O cotidiano brasileiro !




E a linguagem das ruas ?


Se observarmos um “arroizinho com feijão e ovo" ou um "copo de água pra mim tomá" fazem parte do cotidiano de forma que dão vida a uma linguagem, a linguagem falada nas ruas.

Língua falada por um indivíduo

De fato o ponto de vista de onde parte o indivíduo é o que determina a razão, o entendimento e também a língua falada por ele. A língua só existe por que existe quem a fale, não teria sentido a existência da língua se não a utilizássemos, parte daí o principio de que o homem faz a linguagem, pois é ele quem da vida as palavras escritas, se ninguém a ler, se não divulgar, se a palavra permanecer ali calada numa pagina qualquer, podemos dizer que ela sequer existe.

Já dizia Raulzito:

 " Não tem certo nem errado
Todo mundo tem razão
E que o ponto de vista
É que é o ponto da questão "

Chico Buarque


O brasileiro tem uma relação mais relaxada com regras e com leis. Ele obedece ao que ele acha bom obedecer e não obedece a aquilo que ele acha que pode não obedecer, que não vai ser pego. Eu vejo isso pela sonegação, pelos motoristas passando pelo semáforo vermelho no meio da noite.”(Alison Entrekin, australiana tradutora para o inglês das obras de Chico Buarque)

Saber usar a língua não é falar certinho sempre, é saber contextualizá-la.


O que fazer?


A leitura de um ou dois capítulos de qualquer manual de linguística poderia fazer com que todos se convencessem de que estivemos equivocados durante séculos em relação a conceitos como ‘falar errado’. Para combater esse preconceito, basta um pouco de informação.

E a norma culta ?


Apesar de tudo, o preconceito linguístico não significa dizer que a norma culta não é relevante ou que não precisa ser ensinada. Significa apenas que as normas não cultas não são o que sempre se disse delas. E elas mereceriam não ser objeto de preconceito.

Entendendo Melhor


No fundo, o preconceito linguístico é um preconceito social, é o deboche, a sátira, ou a não tolerância em relação ao modo de falar das pessoas. É uma discriminação sem fundamento que atinge falantes inferiorizados por alguma razão e por algum fato histórico. Nós o compreenderíamos melhor se nos déssemos conta de que ‘falar bem’ é uma regra da mesma natureza das regras de etiqueta, das regras de comportamento social. Os que dizemos que falam errado são apenas cidadãos que seguem outras regras e que não têm poder para ditar quais são as elegantes.

Chico Bento



Chico Bento, personagem de Maurício de Sousa, é conhecido por ‘falar mal’ o português – no sentido mais usual da expressão. Nesta história em quadrinhos, ele é repreendido pela professora pelos ‘erros’ de concordância cometidos. (imagem: reprodução)

O que seria? Ele existe?


O preconceito linguístico é um conceito marxista criada pelo sociólogo Nildo Viana como demonstração de outra forma de opressão e luta de classes. Seu maior defensor, calcado em escritos de Pierre Bordieu, é o professor da UnB Marcos Bagno.